AMANHECER-GUI

AMANHECER-GUI
Há sempre um amanhecer...

sexta-feira, dezembro 06, 2013

POEMA 6º in "DEZEMBRO.....UM DIA .....UM POEMA"

ES<3CU<3RE<3CEU

olho as estrelas
que espreitam a brilhar
envergonhadas
desconfiadas
...surge uma
logo outra espreita
...! e uma brilhante e magnífica
colcha se formou...
e me cobriu...
me enfeitiçou...
emanando rasgados sonhos
queimando meu ventre
com recordações sensuais
num reviver de românticos momentos.
... meu pensamento
livre... numa fértil imaginação...
oh! como eu me solto
quando o crepúsculo começa
a despontar
quando penso que vás chegar
trazendo o brilho das estrelas 
no teu doce olhar...
... e na fértil imaginação, livre, 
do meu pensamento....
aguardo o supremo momento
em que te vou abraçar!

     gui c n


quinta-feira, dezembro 05, 2013

                 POEMA 4


Vesti-me de água salgada.... quando as marés vivas
ainda fustigavam a areia. E me arrastavam,
rasgando-me a pele fina em tiras ensanguentadas...

Vesti-me de folhas de plátanos... já ressequidas
quando o tempo chuvoso e... quente ainda,
requebrava os corpos. E os raios do sol
de outono me acariciavam lubricamente...

Vesti-me de lua e de estrelas... luminosas,
quando em noites mornas e ainda virgens
caía do céu, em fios brilhantes, uma chuva prateada
que mimava meu corpo, deliciada e sedenta...

Vesti-me de todas as cores... das plantas silvestres
que... ainda desordenadamente, pincelam os campos
nas diferentes estações... perfumando-me com seus
aromas afrodisíacos...

Vesti-me dos sabores de deliciosos frutos 
quando as árvores prenhes os exibem para
os desejarmos e cairmos em tentação... sedentos
de chupar seu adocicado ou sua adstringência...

Vesti-me da força da natureza...
Vesti-me da sua magnitude...
Vesti-me de um grande amor...
Vesti-me... afinal... para quê?

   GUI--4DEZ 2012


segunda-feira, dezembro 02, 2013

               POEMA 2º
  
    Era uma espessa e breve madrugada
só nos víamos um ao outro
nada à nossa volta...
Andáramos já bastante unidos num abraço forte.
Parámos!
E, esmagámos nossas bocas uma na outra num beijo tão penetrante que o sentíamos dentro do corpo.
Até que enfim nos reencontráramos depois de uma longa e desesperante busca...

..... Que fazer agora? (não nos conseguíamos desabraçar....)....fora demasiado tempo esta louca espera.

E ficámos Assim... até que os nossos corpos desfaçam toda a saudade amordaçada e.... Se desliguem.....lentamente…..

        Guiomar c n

            POEMA 2º

  

domingo, dezembro 01, 2013


             poema  1º

     ...na senda da ingratidão

 venham raios, coriscos, trovões...
 atirem pedras, me esmaguem,
 me desvariem...
 ... não estou aí...volatizei-me
 num mundo que é apenas podridão!

...na senda da ingratidão
 visiono quem me atrai e atraiçoa
 mas grito, me revolto e espezinho
 os que ainda são mais loucos do que eu...
 os que sem dentes mordem
 os que sem voz falam
 os que escutam sem ouvidos
 e querem sugar minhas palavras.

mas as letras num entrelaçar
ausente… mas presente
 ...os abatem, revoltadas.

mundo insano, de amizades
enganadoras, impuras,inexistentes
em que cada um é um EU inclemente
que... na senda da ingratidão
me flecha, em cheio, no coração!

      guiomar c n

  

        CHEGOU DEZEMBRO!

 DECIDI QUE VOU DAR MAIS ÂNIMO À ESCRITA E, PRINCIPALMENTE AO BLOGUE, QUE TEM ANDADO MUITO DESCURADO....
 SE TIVER FORÇA SERÁ.....DEZEMBRO...UM DIA... UM POEMA!
 SERÁ QUE VOU CONSEGUIR?
PERSISTÊNCIA NUNCA ME FALTOU......MAS O ASTRAL NEM SEMPRE É O DESEJÁVEL....E FALHA-SE....QUANDO NÃO SE QUER....DESMOTIVAÇÃO, MASOQUISMO (O QUE É PIOR), INSENSIBILIDADE.....
VAMOS AO TRABALHO! MUDAR O ESTADO DAS COISAS! TER INICIATIVA, TEIMAR, NÃO SE DEIXAR ANIQUILAR PELA INÉRCIA QUE NOS TOLHE....
    HOJE É DIA 1 DE DEZEMBRO.....VAMOS INICIAR UMA VIDA NOVA!
       gui

domingo, novembro 10, 2013

poema

Herdei aqueles brincos
longos e brilhantes.....
Quanto adoravas mexer-lhes
e, a partir deles
os teus dedos percorriam
minhas orelhas, meu pescoço,
meu cabelo.
Encolhia-me....não por timidez
mas para ficar mais próxima
dos teus dedos....por mimo....
p´lo gostoso do gesto...

E, ali ficávamos, longo tempo
as mesmas carícias, o mesmo desejo
de não haver fim....

E, após aqueles longos momentos
que tinham que findar,
os dedos imparáveis.... na doçura dos gestos
a tua e a minha boca
procurando-se...
num beijo muito quente e desejado
numa despedida desesperada....[indesejada].

guiomar c n
10~11~2013

domingo, agosto 25, 2013


SÁBADO

SÁBADO
....CORRE UMA BRISA
PELO MEU CORPO
     DANDO-ME UMA SENSAÇÃO
        DE BEM ESTAR
            NESTE VERÃO....QUENTE E LONGO.

GOSTARIA DE NÃO ESTAR SÓ NESTA ESPLANADA
E PODER OLHAR O FUNDO DE UNS OLHOS
QUE TANTO AMO E
NÃO VEJO!
SÓ A DISTÂNCIA E A ÂNSIA DE UM ENCONTRO
SE MOVEM ENTRE NÓS... SEM FUTURO... TALVEZ...

PORQUE TERÁ QUE ASSIM SER VIVIDO ESTE AMOR?

         A SAUDADE SEMPRE PRESENTE
         E QUE DEMORA A ... DOMINAR!

           E EU... NESTA LONGA ESPERA....!

GUI
24AGOSTO2013

sábado, agosto 03, 2013

**indefinida separação.......

desgrenhados cabelos esvoaçavam
em fuga
os olhos bicudos...tresloucados
a boca abria e fechava
numa conversa muda...

dominava um sinal entre o peito
indefinido
algo estranho
inexplicável
em longo e solitário delírio
olhando o mar...

ao longe uma mancha
também sem definição...
...alguém partira... alguém ficara
de olhos fixos na mancha que
já mal se divisava...

quem ficou cravou fortemente
as mãos num coqueiro... num desnorte
enloucada figura, transfigurada,
perdida, amargurada... sem vida...
... num corpo exangue...a morrer devagar

e, um véu de lágrimas, voou com a brisa
enquanto as mãos estavam negras da força
de apertar...
e... os olhos , de repente, secaram
e toda a roupa ficara encharcada,
os sulcos no rosto dois leitos de um rio negro!
quanta lágrima ali correra...
oh! partida/separação/fuga...

há um destilar de fel que
se agarra ao coração...
que dói... que mata...
que, irremediavelmente, se torna traição!

  ** GUI 

02~08~13
**indefinida separação.......

desgrenhados cabelos esvoaçavam
em fuga
os olhos bicudos...tresloucados
a boca abria e fechava
numa conversa muda...

dominava um sinal entre o peito
indefinido
algo estranho
inexplicável
em longo e solitário delírio
olhando o mar...

ao longe uma mancha
também sem definição...
...alguém partira... alguém ficara
de olhos fixos na mancha que
já mal se divisava...

quem ficou cravou fortemente
as mãos num coqueiro... num desnorte
enloucada figura, transfigurada,
perdida, amargurada... sem vida...
... num corpo exangue...a morrer devagar

e, um véu de lágrimas, voou com a brisa
enquanto as mãos estavam negras da força
de apertar...
e... os olhos , de repente, secaram
e toda a roupa ficara encharcada,
os sulcos no rosto dois leitos de um rio negro!
quanta lágrima ali correra...
oh! partida/separação/fuga...

há um destilar de fel que
se agarra ao coração...
que dói... que mata...
que, irremediavelmente, se torna traição!

gui***
02~08~2013
**indefinida separação.......

desgrenhados cabelos esvoaçavam
em fuga
os olhos bicudos...tresloucados
a boca abria e fechava
numa conversa muda...

dominava um sinal entre o peito
indefinido
algo estranho
inexplicável
em longo e solitário delírio
olhando o mar...

ao longe uma mancha
também sem definição...
...alguém partira... alguém ficara
de olhos fixos na mancha que
já mal se divisava...

quem ficou cravou fortemente
as mãos num coqueiro... num desnorte
enloucada figura, transfigurada,
perdida, amargurada... sem vida...
... num corpo exangue...a morrer devagar

e, um véu de lágrimas, voou com a brisa
enquanto as mãos estavam negras da força
de apertar...
e... os olhos , de repente, secaram
e toda a roupa ficara encharcada,
os sulcos no rosto dois leitos de um rio negro!
quanta lágrima ali correra...
oh! partida/separação/fuga...

há um destilar de fel que
se agarra ao coração...
que dói... que mata...
que, irremediavelmente, se torna traição!

gui***
02~08~2013
**indefinida separação.......

desgrenhados cabelos esvoaçavam
em fuga
os olhos bicudos...tresloucados
a boca abria e fechava
numa conversa muda...

dominava um sinal entre o peito
indefinido
algo estranho
inexplicável
em longo e solitário delírio
olhando o mar...

ao longe uma mancha
também sem definição...
...alguém partira... alguém ficara
de olhos fixos na mancha que
já mal se divisava...

quem ficou cravou fortemente
as mãos num coqueiro... num desnorte
enloucada figura, transfigurada,
perdida, amargurada... sem vida...
... num corpo exangue...a morrer devagar

e, um véu de lágrimas, voou com a brisa
enquanto as mãos estavam negras da força 
de apertar...
e... os olhos , de repente, secaram
e toda a roupa ficara encharcada,
os sulcos no rosto dois leitos de um rio negro!
quanta lágrima ali correra...
oh! partida/separação/fuga...

há um destilar de fel que
se agarra ao coração...
que dói... que mata...
que, irremediavelmente, se torna traição!

     gui***
  02~08~2013

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domingo, julho 21, 2013

OS MEUS HOBBIES DESTA SEMANA

LEITURAS......"MADRUGADA SUJA" de MIGUEL SOUSA TAVARES

                     "AS VINHAS DO AMOR" de ROISIN McAULEY

                     "OCULTOS BURACOS"   alguns contos desta Colectânea em que também 
                                                       publiquei um conto "Medo?... Terror?...Somente 
                                                       Insólito!"
 Tb não descurei a música, que me acompanha tanto......mas nada novo....
E, claro, a Escrita sempre.......                                                            GUI

AS MINHAS DISTRACÇÕES DESTA SEMANA:

LEITURAS:   "MADRUGADA SUJA" de MIGUEL SOUSA TAVARES


sábado, julho 20, 2013


AS MINHAS LEITURAS DA SEMANA:


  1. " MADRUGADA SUJA" de Miguel Sousa Tavares
  2. "AS VINHAS DO AMOR" de ROISIN Mc Auley
  3. OCULTOS BURACOS------algumas das estorias desta Colectânea em que participei...
video
  FOI UMA SEMANA BEM PRODUTIVA NO ASPECTO DA LEITURA, QUE ÀS VEZES; É DESCURADA PELA ESCRITA.....  A MÚSICA TAMBÉM NÃO FOI ESQUECIDA.......

sábado, junho 15, 2013

ECOS DE UMA VIDA

RECORDAÇÕES DE MOMENTOS
EM QUE TUDO ERA PARTILHADO
ATRACÇÃO... VIDA.
ONDE AS EMOÇÕES FLORIAM
NA AURORA DA PRIMAVERA.
ONDE OS SORRISOS ERAM COLORIDOS
COMO O ERA O ENTRELAÇAR DOS DEDOS
NAS LONGAS PAUSAS FALADAS.
ONDE CAMINHÁVAMOS DEVAGAR
PORQUE NÃO TÍNHAMOS PRESSA...
ONDE AS LÁGRIMAS
ONDE AS CARÍCIAS
ERAM RENDILHADAS E QUENTES.
E O PERFUME DAS FLORES
NOS BRINDAVA LONGAMENTE
EM DOCES E (E)TERNOS DIAS...

JÁ SÓ HÁ AS RECORDAÇÕES
DE DAR E RECEBER.
PINTAM-SE NOSSOS MOMENTOS
DE NOITES SEM ESTRELAS
NEGRAS... PERDIDAS... COMO ECOS DE NOSSAS VIDAS!

 GUI C N


olhos fechados para sempre...

subiste àquela dimensão
em que tudo é obliquamente
sustentado...

não sabes se voltarás
à esfera universal
que nos comanda
que nos condena...

ninguém sabe!

redimensiona-se o físico...e o psíquico!

em meteoritos te transformarás
quiçá ... descerás
até nós e nos levarás
de olhos fechados...
para sempre...
seguir-te-emos
em pontos colaterais
nos orientaremos!

ficaremos para sempre
olhos fechados
entre a luz e a sombra
numa penumbra etérea
....e intemporal....

quarta-feira, maio 15, 2013

UM PÔR-DO-SOL ... NA AREIA

A tepidez envolvente
e ensanguentada
do sol a descer
deixava um rastro
na imensidão das águas...
Como me encanta esta hora
da bola de fogo a ocultar-se àvida
de outras paragens, numa fuga...
Um espectáculo!...
Com os pés ainda na areia morna
não desvio o olhar
enrolada na minha capulana.
Emana de dentro de mim
uma claridade quase imperceptível
mas plena de emoção...
que faz meu corpo vibrar debaixo da capulana
em que me aconchego um pouco mais...
E, lentamente....o sol esvaíu-se.
O escuro que o substituíu
faz-me virar os olhos e ver
as estrelas, que piscando maliciosamente
vão sulcando aquele acetinado manto
enquanto as águas
escurecem ainda mais...
Envolvo-me na beleza deste momento mágico
afluem pensamentos
e desejos de amar... ali...
de abraçar... de me sentir viva... ali...
a dois... nesta magia!!!

gui c n


quinta-feira, abril 18, 2013


AFECTOS...

AQUELES QUE TIVE CONTIGO
E UM DIA PERDI

AQUELES QUE TROCÁMOS EM ANOS
QUE DURARAM VIDAS

... PORQUE VIVIDOS INTENSAMENTE
SEM DÚVIDAS... SEM CANSAÇOS.

E AGORA GRITO! E ÀS VEZES CALO!

AQUELES AFECTOS QUE TIVE CONTIGO
QUE SEMPRE DURARAM...

E AGORA ÀS VEZES CHORO
E AQUELES AFECTOS CHORAM COMIGO
ACABEI POR PERDER
AQUELES AFECTOS QUE TIVE CONTIGO.
AFECTOS...

AQUELES QUE TIVE CONTIGO
E UM DIA PERDI

AQUELES QUE TROCÁMOS EM ANOS
QUE DURARAM VIDAS

... PORQUE VIVIDOS INTENSAMENTE
SEM DÚVIDAS... SEM CANSAÇOS.

E AGORA GRITO! E ÀS VEZES CALO!

AQUELES AFECTOS QUE TIVE CONTIGO
QUE SEMPRE DURARAM...

E AGORA ÀS VEZES CHORO
E AQUELES AFECTOS CHORAM COMIGO
ACABEI POR PERDER
AQUELES AFECTOS QUE TIVE CONTIGO.
AFECTOS...

AQUELES QUE TIVE CONTIGO
E UM DIA PERDI

AQUELES QUE TROCÁMOS EM ANOS
QUE DURARAM VIDAS

... PORQUE VIVIDOS INTENSAMENTE
SEM DÚVIDAS... SEM CANSAÇOS.

E AGORA GRITO! E ÀS VEZES CALO!

AQUELES AFECTOS QUE TIVE CONTIGO
QUE SEMPRE DURARAM...

E AGORA ÀS VEZES CHORO
E AQUELES AFECTOS CHORAM COMIGO
ACABEI POR PERDER
AQUELES AFECTOS QUE TIVE CONTIGO.


   GUI
18~04~2013

domingo, abril 07, 2013

FLASH 2

atroz visão
desencanto
temor

... visão de loucos
gritando

.......Liberdade............

gotas húmidas
que brotam
de órbitas salientes

quentes queixumes
em transe
veementes

um mundo passou
não os ouvindo
segue veloz
perseguido

murmúrios
intensos
clamados
revoltados
chorados

atroz visão
desencantada
que se olha
envergonhada.

gui.c.n. ♥

FLASH 3

Hoje contigo
não quero nada...

nem o corpo sedutor
... nem o sorriso nos lábios
nem o olhar que me queima
nem a boca-pedinte

não quero
contigo nada...

expulsar-te do meu corpo
isolar-te do pensamento
queimar-te do coração
despir-me deste tormento

é essa a minha intenção
ficar no isolamento
e não querer
contigo nada...

voares como folha já seca
da rosa que já murchou
deixando só os espinhos
a lembrança que restou
NÃO QUERO
CONTIGO NADA...


GUI <3
07~04~2013

 

sábado, março 09, 2013

Alicerçámos sonhos
em nuvens
criámos asas
voámos sem rumo
cheirámos todos os odores
do mundo
... sentimos o gosto da liberdade.
Nossas vestes eram leves
brilhantes e transparentes
nossos cabelos esvoaçantes
nos equilibravam
nossos rostos doces afagos
balbuciando, de lábios cerrados
palavras [e]ternas.
Gemendo de prazer
abraçávamo-nos num fogo
ardendo em paixão [in]tensa
delirante... sensual... envolvente.
Torneámos mil projectos
de ruptura
para terminar numa enloucada
e... ardente melodia.
 
  guicasasnovas
   09.03.2013
 

quinta-feira, fevereiro 28, 2013

NOITE DE NÚPCIAS...

Memórias
que eu julgaria ´nda viver
se não me atraiçoasses
com desculpas
que de todo não tinham razão de ser...

Memórias e projectos adiados,
projectados
com a intenção de os não viver...

Noites sonhadas, reticentes
numa noite que se havia de viver
sonhos atraiçoados, desesperados,
maldosamente estilhaçados,
ambíguos, sempre o foram e irão ser...

Memórias
de uma noite de núpcias
desejada
adiada... que nunca consegui entender!

gui
Cabelos ruivos desgrenhados
espalhados sobre as águas
mar ensanguentado
após batalha
travada... despojos
que ali restaram
mortiços... esquartejados
por palavras cruéis...
de dura forma arremessadas!

Quem provocaria façanha tal?


domingo, fevereiro 24, 2013

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=592273360800985&set=


a.134359289925730.18999.100000549804551&type=1&relevant_count=1


Consciente me iludi...


Não aceitando o visível
porque o amor nos cega e ensurdece
percorri anos e anos
caminhos tortuosos...
Via? Sim mas fingia não ver...
Sentia? Sim mas ignorava o real...
Procurava até justificar falhas
que sentia fraudulentas...
Dei-me!
Num total deslumbramento,
ignorante por opção,
sofrendo por convicção
aceitando sem ilusão!
Oh! Não há maior cego
que aquele que não quer ver!

Consciente me iludi...

         GUI















23/02/2013------22h55m

sábado, janeiro 19, 2013


HIBERNAREI

Hibernarei no início do Inverno...
Tudo permanecerá como está porque quero apenas
levar os meus papéis, a minha caneta, os meus livros
e a minha música...
Levarei minhas palavras bem guardadas no corpo e na mente e
 ... elas se irão soltando, compulsivamente, num mistério reflexivo e isolado...
A solidão me dará poderes extraordinários para juntar as letras com lógica
e lançar palavras, que se ordenem em frases e estas em poemas que há muito estão
trancados... no meu eu....lá no fundo... onde nenhum saber humano consegue chegar.
Hibernarei no início do Inverno...

      guiomar casas novas
       
 
 

          FANTASIANDO

 

Em desfolhada e diáfana noite

Afogueio-me em ti

 

És-me o travo salgado/doce

Invadindo-me a boca e o corpo

 

Abraço-me invadida de gozo

Num tornado de paixão

 

Das raízes restam pedaços desse amor

Só ficou o quase /nada

Que luta na sobrevivência

Em cada terminal nervoso

Dos nossos exasperados corpos

 

Retesam-se as palavras e os gestos

Resta a visão e a ausência de razão

Perdemo-nos… um no outro

Res/suspirando em espiral  e…

… em longo aperto no coração…

sexta-feira, janeiro 18, 2013

FOGUEIRA ENFEITIÇANTE

***
No quentinho aconchegante da lareira
olho fixamente as labaredas apressadas
que galopando tentam alcançar
um qualquer lugar... além!

Fecho o livro que lia e olho-as hipnotizada
onde irão nesta corrida?
quero descobrir...
e... vejo nelas o brilho dos teus olhos
meu amor...!

E volto a olhar... lá está o teu sorriso doce
envolto naquela ardente subida
oh! e a tua boca gostosa suplica-me
com sofreguidão... um beijo
e continuo nas visões olhando
as labaredas sangrentas.
__És tu tenho a certeza, aquele que me enfeitiça
nas tremeluzentes línguas de fogo
que me desejas, que me devoras
nesta contínua subida e... me tomas!

Aperto os braços num abraço a mim mesma
na espera de um milagre
o milagre de te sentir... e sinto
fecho os olhos e vivo uma ardente
cena de amor...

    gui
18jan´13

    gui

       ECOANDO NO ETÉREO**

 

pude entender claramente

… que do corpo enviesado

se soltava

um aroma de limão**

 

os olhos-órbitas expeliam setas

da boca distorcida

saltavam línguas de fogo

… dos dedos fios infinitos

exangues de sol-lua**

 

gestuais malabarismos

estonteados…

e em sons e

olhares

se petrificaram

 

papoilas- esverdeadas saltitaram

… num rodopio

assaltando aquele corpo

num desafio**

 

… cabelos roçando o chão

em longa e emergente canção

gemida… chorada…

ecoaram no etéreo…**

quinta-feira, janeiro 17, 2013


   MEDO?...TERROR?....SOMENTE INSÓLITO!

 

Em África há um sortilégio que não apenas o das belezas tropicais que nos extasiam…e deixam embevecidos…estáticos… olhos presos… mente paralisada…
Há um sortilégio (?) permanente de ruídos estranhos e desconhecidos, de medos, de eriçamento de pêlos num arrepiar que paralisa…!

Quem vive no mato tem, por norma, nas janelas (que não têm portadas), redes mosquiteiras que protegem dos mosquitos (e outros insectos inumeráveis)…

 Praga que não tem fim e, que pode até ser bastante perigosa provocando umas febres graves: paludismo… e, mesmo em algumas regiões, ainda mais grave como a malária negra(que pode ser mortal).

 

…Dormíamos… a noite ia alta, nostálgico o choro da hiena que de vez em quando nos acordava, provocando estranhos pressentimentos e … algum medo que não queríamos às vezes interpretar…..

Mas naquela noite tudo foi diferente, não impossível em África, mas horrível em terror…

Acordámos com um forte e estranho ruído, permanente… continuado…

Era em tudo semelhante a um cortar das redes mosquiteiras mas cada vez mais impressionante e mais arrepiante.

Atentámos numa escuta longa na expectativa de detectar donde vinha e o que seria tal ruído/mistério e……porque não dizê-lo(?)…..ir adiando o medo…que a cada minuto mais sentíamos.

Que pensar? (se é que nessas situações conseguimos pensar). Assalto?

O que podia parecer mais provável mas que em África poderia ser tudo…

Não havia alternativa senão tirar as pistolas do armário, respirar (com medo) e…ir saber o que acontecia. A pele arrepiava-se-nos até ao limite, a curiosidade acicatava-nos e… havia que agir.

Armas em punho, às escuras, destrancámos a porta do quarto, hábito adquirido desde que vivíamos no “mato”, numa plantação de algodão.

Transidos até aos ossos pelo medo seguimos até ao fim do corredor, donde nos parecia vir o misterioso som.

De um lado ficava a porta da sala, do outro a da cozinha.
Com o maior cuidado e o menor ruído optámos por abrir a porta da sala(também trancada)…….nada!

…mas já apercebendo-nos que tal “horror” vinha da cozinha. Aguardámos expectantes na tentativa de algo que nos pudesse dar uma pista.

De repente apercebemo-nos da luz acesa na cozinha que se filtrava pela fechadura da porta, igualmente trancada…

Estranho! Não era hábito deixar acesas as luzes interiores mas sim as exteriores à vivenda.

De imediato começámos a aperceber-nos de um odor esquisito, até um pouco nauseabundo.

Era necessário agir e, com alguma relutância, repentinamente, deu-se a volta à chave…

Ainda mais paralisados… o insólito!

O cheiro e o zumbido eram incríveis! Ainda hoje me parece senti-los ao recordar…

 

                                    *****   *****   *****

 

… Milhares e milhares de “formigas de asa”---como lhe chamávamos.

 

                                    *****  *****  *****

 

Estas formigas, das muitas espécies que existem em Moçambique, são muito frequentes porque saem da terra quando chove e procuram a luz, num voo completamente louco.

Ora tinha chovido à noitinha e, ao aperceberem-se da luz na cozinha, infiltraram-se por baixo da porta.

A cozinha era uma cuba negra total e o cheiro atordoava.

Foi urgente fechar imediatamente a porta.

Ainda não refeitos do susto que nos tinha deixado mossa era necessário acalmar os ânimos e deixar funcionar os neurónios……..O facto de não

 ser tão pior do que se esperava(?)---não consegue acalmar de pronto os pensamentos horríveis que nos transtornam e paralisam…e, quem já passou por situações destas bem o compreenderá.

 

Tinha chovido à noite e as formigas, ao saírem da terra, e vislumbrarem a luz por baixo da porta, começaram a entrar em catadupa, milhares e milhares (sim…porque em África é tudo em quantidade e em extensão bastante diferente do que acontece aqui… )e, a cozinha transformou-se numa “cuba negra”, com um cheiro pestilento (de cadáver).

Foi urgente fechar de pronto a porta da cozinha…

Felizmente a despensa ficava no exterior, porta com porta com a cozinha e, era aí que se armazenavam os produtos, sendo que era imprescindível ter em quantidade e, até sempre à mão, os insecticidas.

Rodeando a casa entrou-se na despensa e, não me perguntem quantas embalagens de insecticida foram despejadas… umas por baixo das portas, outras através das redes mosquiteiras…. O que foi possível.

Então foi esperar “a morte das intrusas” algum tempo até se poder abrir a porta do quintal… sim porque era impensável, durante alguns dias , a ligação ao resto da casa.

 

Juro-vos, que ainda hoje, quando falo ou lembro este episódio, me parece sentir aquele cheiro…

 

Claro que, passado o pânico e o horror daquela visão, seguiu-se a hilaridade pelo insólito da situação… (principalmente pelas armas…).

 

Mas África faz-nos viver tantas situações insólitas, por bem e por mal, que contando preencheríamos várias páginas…

Talvez por todas estas vivências eu diga que foram os melhores anos da minha vida.

Porque os acontecimentos tinham um sabor especial, sem dúvida o medo mas a adrenalina de continuar.

E, para além destes medos, neste caso caricato mas noutros bem horripilantes, co-existia a grandiosidade de uma terra de maravilhas, de essências exóticas, de magia…com uma salutar convivência entre a Natureza e as Pessoas, não só com os africanos e os seus inúmeros dialectos como com a variedade de outros residentes de vários pontos do mundo.

 

Há uma mágica especial quando o sol se levanta bem como quando o horizonte se avermelha e ele começa, qual bola de fogo, a esconder-se num rasto de sangue, impondo-se a Noite---nostálgica, tenebrosa, mágica, langorosa.

É ÁFRICA!

 

 Autora: Guiomar Casas Novas