AMANHECER-GUI

AMANHECER-GUI
Há sempre um amanhecer...

sábado, julho 14, 2018

ÁRVORE VELHA...ENCARQUILHADA
PELA SABEDORIA BEBIDA
DURANTE  UMA VIDA
DEMASIADO LONGA E
SÁBIA...
SEUS GALHOS, EXPERIENTES E
ROBUSTOS
SÃO O SUPORTE CONSTANTE
DE SEUS NETOS...
....E QUANTOS NETOS POR ELES
ANINHADOS COMO FIGURAS DE CRIANÇAS
DORMINDO DELICIADOS...
ÁRVORE VELHA... ESBURACADA
ANOS SEM CONTA AÍ PLANTADA
TUA MEMÓRIA ESQUECEU
OS ANOS VIVIDOS NESSA
PLANÍCIE DESERTA,PORÉM
NÃO ESQUECEU O QUE VIU,
O QUE SENTIU, O QUE OUVIU,
AS LÁGRIMAS DORIDAS QUE
A MOLHARAM, DE QUANTOS A PROCURARAM
ADMIRAVA IGUALMENTE A NATUREZA QUE A RODEAVA
ADMIRAVA O NASCER E PERECER DO SOL
A CHEGADA DA LUA SEMPRE DESIGUAL
O TREMELUZIR DE MILHÕES DE ESTRELAS
O ARCO- IRIS INDICATIVO DAS GRANDES TROVOADAS
ESTE ENCANTAVA-A PELAS SUAS SETE CORES
E OLHAVA-O ATÉ DESAPARECER NO AMAINAR DA TEMPESTADE.
UM DIA....NADA DELA RESTARÁ... APENAS A SAUDADE!

       guiomar casas novas

domingo, dezembro 03, 2017

                      FLASH 22

      ....imenso espaço inclinado
sobre aquele mar bravio
oleado com emaranhadas algas
esverdeadas....sombrio

e tão sombrio que parece a noite
quando as estrelas se escondem
zangadas com algo... um desvario
e a lua que também fugiu
mais negro ainda o tornou

e o espaço inclinado// virou
transformando-se em gigantesca
figura
que cresce... cresce infinitamente
e vai afundar-se
no mar sombrio... de algas emaranhadas
esverdeadas... bravio.

não vou voltar
... vou fugir
daqui sair...
não mais regressar.

       gui casas novas

quinta-feira, novembro 30, 2017

____em noite de sexta

_______pingos grossos irrompendo
de meus olhos torturados
doídos
escorrem pelos sulcos
traçados ao longo de anos
de tristes desamores/acontecidos
___emergentes sussurros___
em vâo balbuciados
cicatrizes abertas... sangrando
na espera da cura__demorada
cabeça baixa
desânimo
carência
quando efémero
é o amor
indelével mover de lábios
sugando os grossos pingos
____um horror!

  gui c n
sexta à noite* 24fev2017

quinta-feira, novembro 23, 2017

        DA LUZ E DO ESCURO

Estava.
Não sei para onde se viravam os olhos
onde se perpetuavam ...indefinidamente
algo se sentia na delinquência do nada
um escuro total que se materializava
nas memórias

permanecia como caminheiro desesperado
na força anímica de chegar
interiorizavam-se-me escolhos e pétalas amarelas
sobrepondo-se à luz que
agora em beleza e força avançava...encandeava

caminheiro solitário, para onde vás?

e...DA LUZ E DO ESCURO
emergiam todas as fragilidades_______
o amanhã vai chegar_____estou aqui para partilhar.
Estava . Estou. Estarei.

        Gui Casas Novas
       23 nov. 2017

segunda-feira, julho 03, 2017

    Em espuma... pedras... sol

quisera eu enrolar-me naquela
irreverente espuma que se soltava
como suspiro 
dominando as pedras múltiplas
soltando rugidos ora leves
ora furiosos
beijada pelo sol sorridente
que me queimava a escura pele
odor a maresia que se entranhava
em mim, em ti e
aí... mais arrojada era a espuma
que depois de lamber as pedras
vinha morrer na areia clara
onde meus pés
se enterravam mais e mais...

ias salpicando meu corpo nu
com aquela espuma enloucada
e contornando-o com pedras variadas
molhadas...escaldadas
que ora me arrepiavam...ora me queimavam

e...quando o sol morria... já cansado
a espuma recuava 
... dava tréguas às pedras e
soltavam-se então uns suspiros
profundos que iam agonizar
no meu corpo nu... exausto.

quinta-feira, abril 27, 2017

.....em queda

               ferocidade
é a demência que me atordoa
        sinto-a
no agnóstico ser que sou
e serei
provocatório... alheado em
linhas oblíquas... em traçados
cruzados
que fervilham incandescentes

         puxam-me
numa atroz violência
arrastam-me arrastando-me violentamente
caio em antros ancestrais
miraculosos... obscuros
(in)sensivelmente
abandonada. Revisto-me 
de força nenhuma....

      gui c n
    27/ 04 / 2017
https://youtu.be/447yaU_4DF8

sábado, abril 22, 2017

          CORRE A RIBEIRA

A ribeira corre... corre
ora chorosa, ora alegremente
chocando nos seixos que se dobram
e resmungam...

mas não se zangam porque naquele bater vai uma doce carícia
que os envolve e os excita...

E as pedrinhas? refrescadas enrolam-se no canto melodioso
das águas numa dolência preguiçosa
num doce e imparável marulhar...

Reflectidos na água que corre os galhos
frondosos dos salgueiros e dos chorões vaidosos
miram-se nas cantantes águas...

de quando em vez abanam seus ramos com a leve brisa
que se levanta para os fazer dançar...
dança de verdes, de transparências, de loucuras
de pedras e águas...

Olhando-as... reflicto!

      guiomar c n
22 abril 2017 in EVORA

         ....sempre


caminhando sempre
sempre...
____onde é o final?
alguém um dia o descobrirá?
**
caminhando num arrastar de pés
puxando-se...
____onde irá ser o final
empírico...torturante?

é
à roda soltam-se
bolhas incolores
transfiguradas
é...
será?

e
sempre caminhando
corpo dorido
retorcido
segue...

... sempre!


    Gui
4 abril 2017
Evora
livro em branco

páginas que (pre)encho
com frases adocicadas e perfumadas
de lilás, de jasmim, de violetas
e
outras onde garatujo nos maus momentos
linhas e figuras sem nexo, tétricas
emaranhados de tudo e de nada

*
é
assim mesmo...
uma realidade de palavras feias onde
cuspo o meu desânimo
pelas pessoas feias, que cheiram a inveja
é
que cheiram a maldade, a cinismo, a fingimento...

e
o livro se vai enchendo... aos poucos...
de ternura, de maldade
de carinho, de desonestidade
de amor, de crueldade...

a revolta não é viver
eu sei
mas quem passa a mão pela pele
conhece bem essa repulsa

é
assim... isso mesmo
jogar com armas desiguais

e não se deixar perder...


       gui c n
    16 abril 2017