AMANHECER-GUI

AMANHECER-GUI
Há sempre um amanhecer...

segunda-feira, julho 03, 2017

    Em espuma... pedras... sol

quisera eu enrolar-me naquela
irreverente espuma que se soltava
como suspiro 
dominando as pedras múltiplas
soltando rugidos ora leves
ora furiosos
beijada pelo sol sorridente
que me queimava a escura pele
odor a maresia que se entranhava
em mim, em ti e
aí... mais arrojada era a espuma
que depois de lamber as pedras
vinha morrer na areia clara
onde meus pés
se enterravam mais e mais...

ias salpicando meu corpo nu
com aquela espuma enloucada
e contornando-o com pedras variadas
molhadas...escaldadas
que ora me arrepiavam...ora me queimavam

e...quando o sol morria... já cansado
a espuma recuava 
... dava tréguas às pedras e
soltavam-se então uns suspiros
profundos que iam agonizar
no meu corpo nu... exausto.

quinta-feira, abril 27, 2017

.....em queda

               ferocidade
é a demência que me atordoa
        sinto-a
no agnóstico ser que sou
e serei
provocatório... alheado em
linhas oblíquas... em traçados
cruzados
que fervilham incandescentes

         puxam-me
numa atroz violência
arrastam-me arrastando-me violentamente
caio em antros ancestrais
miraculosos... obscuros
(in)sensivelmente
abandonada. Revisto-me 
de força nenhuma....

      gui c n
    27/ 04 / 2017
https://youtu.be/447yaU_4DF8

sábado, abril 22, 2017

          CORRE A RIBEIRA

A ribeira corre... corre
ora chorosa, ora alegremente
chocando nos seixos que se dobram
e resmungam...

mas não se zangam porque naquele bater vai uma doce carícia
que os envolve e os excita...

E as pedrinhas? refrescadas enrolam-se no canto melodioso
das águas numa dolência preguiçosa
num doce e imparável marulhar...

Reflectidos na água que corre os galhos
frondosos dos salgueiros e dos chorões vaidosos
miram-se nas cantantes águas...

de quando em vez abanam seus ramos com a leve brisa
que se levanta para os fazer dançar...
dança de verdes, de transparências, de loucuras
de pedras e águas...

Olhando-as... reflicto!

      guiomar c n
22 abril 2017 in EVORA

         ....sempre


caminhando sempre
sempre...
____onde é o final?
alguém um dia o descobrirá?
**
caminhando num arrastar de pés
puxando-se...
____onde irá ser o final
empírico...torturante?

é
à roda soltam-se
bolhas incolores
transfiguradas
é...
será?

e
sempre caminhando
corpo dorido
retorcido
segue...

... sempre!


    Gui
4 abril 2017
Evora
livro em branco

páginas que (pre)encho
com frases adocicadas e perfumadas
de lilás, de jasmim, de violetas
e
outras onde garatujo nos maus momentos
linhas e figuras sem nexo, tétricas
emaranhados de tudo e de nada

*
é
assim mesmo...
uma realidade de palavras feias onde
cuspo o meu desânimo
pelas pessoas feias, que cheiram a inveja
é
que cheiram a maldade, a cinismo, a fingimento...

e
o livro se vai enchendo... aos poucos...
de ternura, de maldade
de carinho, de desonestidade
de amor, de crueldade...

a revolta não é viver
eu sei
mas quem passa a mão pela pele
conhece bem essa repulsa

é
assim... isso mesmo
jogar com armas desiguais

e não se deixar perder...


       gui c n
    16 abril 2017